domingo, 28 de abril de 2013

O livro da saudade

E é isto... tenho mais um poema no portefólio!
Concorri novamente ao "Há Poetas na Ilha", promovido pela AJISM, em parceria com a Biblioteca da EBISMA e a Biblioteca Municipal.
Arrecadei o 1º lugar com este "menino"! :))
Ahh, é verdade! Não estabeleci uma estrutura fixa... mas espero que seja do vosso agrado :)




O Livro da Saudade

Saudade…
Que palavra tão nossa!
Palavra forte,
Vocábulo poderoso
Parcialmente bondoso;
Causadora de grandes mágoas
Remexe em passadas águas
E fá-las transbordar.

Saudade: sem tradução.
Quem a sente, sente apertada
Como numa cadeira: amarrada!

De seis letras para meio mundo;
De ex-amores a amor profundo;
De lágrimas, a morte dura;
E com suspiros, corações perfura.

Não pára, não vê…
Não grita…
Não respira, não anda…
Não se move, não fala…
Não chora…
“Não” isto, “não” aquilo…
Mas mata.

 De pobre nobreza
A alegre tristeza.
De prova a aprovação;
De vidente a espião:
Prevê, não larga.
Vigia, não estraga.
  
É morte súbita
Sem explicação.
Também é cura…
Ressuscitação!
Está na memoria,
Na lembrança,
No coração.
No fundo, não se define:
A saudade é.
A saudade apenas é!
Não mais do que aquilo que é…
Não…!
Apenas é o que é
Por ser o que é.


 Bate forte,
Passar, não passa…
Como um vírus,
Como uma traça!
E não deixa margem.
De erros não é feita.
Da cabeça faz lembrança,
Do Homem faz colheita.

A saudade é única.
É do sangue português.
Não é do americano,
Nem do chinês, nem do francês!
A saudade é minha.
A saudade é tua!
Ela é de todos,
Do coração de Portugal
Para o palco mundial!
A saudade é de todos… Mas é nossa.

É a palavra que sem braços, aperta.
É palavra que amores desperta.
Palavra paciente,
Sentimento eminente.
Faz guerra sem armar,
Dá paz sem a roubar.
Saudade…
Tanto para dizer
E outro tanto para manter.
Afinal saudade é portuguesa
E “Portugal somos nós!”
Já assim dizem todos
Desde o tempo “dos avós”.

Saudade…
Vivemos contra ela
Mas é dela que vivemos.
Saudade é contato:
Coração com coração!
Aquece a emoção
De viver para “o dia”.
Dia esse de reencontro.
Dia de esperança,
De alegria!

Mata todo o ser interior
Que se mostre mais, ou menos.
Saúda todos por quem passa,
Marca todos, como uma traça.
Fura sem se sentir.
Faz gente viver,
Faz pessoas cair.

Mas saudade é reencontro
E reencontro é alegria.
Então saudade não é morte:
Saudade é poesia!

Saudade é livre.
É forte, tem Norte.
É poderosa,
Tem vida. É gloriosa.
Tem Portugal, tem coração.
É música, é fado.
Tem amor, tem compaixão.

Não é erva passageira:
Sem se saber, é flor eterna:
Mantém o exterior corado,
Mantendo a compostura interna.

A saudade é o destino.
É calor, é chuva, é sol.
É um poema inacabado
E é a ponta de um anzol.
  
Saudade é poesia.
Saudade é fado e Fado.
Saudade é Portugal, é nossa.
Saudade não se descreve nem escreve.
Saudade é, só por ser.
Saudade é vida, é saudável.
Saudade não é intriga.
Saudade é indescritível.
Mas saudade é saudade
E não tem de ser explicada.


 Com saudade,
Joana Baptista

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